segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Gato de Schrödinger

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É muito estranha essa perspectiva de estar vivo e morto
Como se as coisas não fizesse sentido algum,
E como se eu visse de um ângulo diferente dentro de mim mesmo.
Coisas, pessoas e lugares já não tivessem cor e mesmo assim eu ainda enxergo luz.
Minhas condições motoras são mantidas meramentes por um propósito comum, me manter vivo.
Me manter vivo não é uma dificuldade nem sacrifício.
O Sacrifício e a dificuldade está exatamente no oposto me manter morto.
Dizem: você precisa de um tempo.
Tempo, tempo é o que mais temos nessa vida desde que ele foi criado, não nos deixando esquecer sequer um segundo de angústia passado.
Sentimentos que antes em mim pulsavam e gritavam.
Hoje não passam de palavras ilustrativas no meu dicionário interior.
Amor, ódio, alegria, tristeza, até mesmo dor.
Sim aquela dor que penetra a carne como uma unha cravada em uma ferida que desce o calafrio desde a espinha, mas não sinto,
Acho que é meu corpo imune de tantas vezes que já senti, às vezes a Alma.
As vezes eu olho a minha mão e a contraio com força pra sentir que ainda estou dentro de mim mesmo.
E as vezes me olho debilitado no espelho e pensando em quantas pessoas neste exato momento não está se sentido assim consigo mesma como o Gato de Schrödinger que está vivo-morto.